.

Violência: epidemia que mata

Apareceu até no jornal, meu irmão apareceu na primeira página do jornal, minha mãe chorava, não sabia se era de tristeza ou de alegria.

Não sabia ler na época, minha mãe nem meu pai queriam ler a reportagem para mim. Então resolvi ir para a escola e dar para a minha professora, tia Marta, a reportagem para que ela lesse. Leu em voz alta a toda sala:

- "Violência, epidemia que mata."

"João Carlos, o traficante mata mulher por não lhe pagar um refrigerante e um maço de cigarro.(...)"

Cheguei em casa e perguntei para a mamãe o que tinha acontecido com meu irmão, ela disse que ele foi viajar. Falei pra ela que não precisava mentir.

- Eu sei tudo! Li no jornal.

Minha mãe me explicou então, que meu irmão era um traficante. Aquele que leva droga para si e para outro(s).

- E o que aconteceu com ele, mamãe? No jornal só dizia que ele fugiu.

Minha mãe não soube responder sobre seu paradeiro.

Depois de três semanas no jornal da TV, a reportagem dizia:

"João Carlos, na tentativa de roubar salgadinhos em uma mercearia, é baleado por dois policiais na tentativa de fuga..."

Minha mãe desmaia. Nunca iria pensar que depois de roubar casas e levar maconha para outra cidade, ele é morto por roubar salgadinhos.

E hoje, eu, minha mãe, meu pai e meu novo irmãozinho, também chamado de João Carlos, estamos em uma passeata na cidade para dizer a todos:

"- Violência é uma epidemia que mata!" 

Lucas Antônio de Oliveira Gonçalves - 13 anos - 7ª série A da E. M. Alvino Hosken de Oliveira

 
* Caminho de lá
* Minha Vida
* O roubo
* Romeu e Julieta
* "Inclusão Digital: O Mundo na ponta dos dedos"